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	<title>Educação &#187; apropriação</title>
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		<title>Ação Cultura Digital: Programa Cultura Viva</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 22:07:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela Agustini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os Pontos de Cultura nascem a partir de convênios entre entidades da sociedade civil organizada, selecionadas por editais públicos ou por prefeituras, e o Ministério da Cultura. Compõem o Programa Nacional de Cultura Educação e Cidadania &#8211; Cultura Viva, criado por meio da Portaria nº 156, de 06 de julho de 2004, por meio do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-126" src="http://educacao.culturadigital.br/files/2009/11/culturadigital-150x150.jpg" alt="culturadigital" width="150" height="150" />Os <a href="http://www.cultura.gov.br/cultura_viva/?page_id=31">Pontos de Cultura</a> nascem a partir de convênios entre entidades da sociedade civil organizada, selecionadas por editais públicos ou por prefeituras, e o Ministério da Cultura. Compõem o Programa Nacional de Cultura Educação e Cidadania &#8211; Cultura Viva, criado por meio da Portaria nº 156, de 06 de julho de 2004, por meio do qual as entidades civis recebem recursos orçamentários no valor de até 185 mil reais, do Ministério da Cultura, em parcelas semestrais a serem investidas em um prazo de dois anos e meio na manutenção do Ponto.</p>
<p>Segundo o projeto<a href="http://mapasdarede.ipso.org.br/mapa"> Mapas da Rede</a>, coordenado pelo Instituto de Pesquisa e Projetos Sociais e Tecnológicos (IPSO), há 824 Pontos de Cultura conveniados em editais do Governo Federal distribuídos em todo o país. De 2005 a 2007 foram realizados encontros e oficinas para promover a apropriação das TICs nos Pontos de Cultura, na chamada <a href="http://www.cultura.gov.br/cultura_viva/?page_id=21">Ação Cultura Digital</a>. Por meio da Ação, em 2006, cem Pontos receberam kits multimídia com computadores que funcionam como<br />
servidores e ilha de edição de imagem, áudio e vídeo; câmera fotográfica digital; filmadora; gravador de som digital; microfones e fones de ouvido. Nos anos seguintes, cada Ponto de Cultura recebeu 20 mil reais para a compra de equipamentos.</p>
<p>No período estudado, os convênios estabelecidos pela Ação Cultura Digital eram federais, desde então, houve uma mudança de direcionamento, e no contexto atual há a possibilidade de convênios estaduais.</p>
<p><strong>Os espaços de formação do Cultura Digital</strong></p>
<p>Encontros de Conhecimentos Livres e oficinas foram os espaços presenciais propostos aos participantes dos Pontos de Cultura para a apropriação de tecnologias.<br />
primeiros eram processos de imersão com oficinas continuadas que ocorriam durante um final de semana, feriado ou mesmo por semanas, quando um grupo de oficineiros procurava difundir as tecnologias da informação e comunicação, promovendo uma vivência em cultura digital. Também foram realizados fóruns e chats virtuais para assistência remota, em ambientes virtuais como o Conversê &#8211; criado pela Ação Cultura Digital -, bem como publicizados tutoriais, manuais e almanaques no<a href="http://www.estudiolivre.org/tiki-index.php"> Estúdio Livre</a> &#8211; ambiente colaborativo de produção, distribuição e desenvolvimento de mídias livres.</p>
<p>Cerca de 150 pessoas se reuniam nos Encontros de Conhecimentos Livres para compartilhar conhecimentos sobre tecnologias de hardwares e softwares, e criação de<br />
linguagens e produtos multimídia. Eram produzidos pelos oficineiros e coordenadores da Ação em parceria com lideranças dos Pontos de Cultura e dos governos locais, representações regionais do Ministério da Cultura e membros dos projetos <a href="http://educacao.culturadigital.br/2009/11/03/o-programa-casa-brasil/">Casa Brasil</a> e <a href="http://educacao.culturadigital.br/2009/11/03/o-programa-gesac/">Gesac</a>. Os encontros podiam durar dias ou semanas. &#8220;O importante era a imersão e a vivência&#8221;, ressalta Cristiano Scabello, oficineiro da Ação Cultura Digital entre 2005 e 2007.</p>
<p>O Primeiro Encontro de Conhecimentos Livres dos Pontos de Cultura aconteceu em Teresina, no Piaui, com duração de dez dias, de 25 de julho a 05 de agosto de 2005. Durante o Encontro foram realizadas oficinas e rodas de conversa propostas e conduzidas tanto por oficineiros da Ação Cultura Digital quanto por  epresentantes dos Pontos de Cultura. O r<a href="http://mapsys.culturadigital.org.br/2.+OFICINA+PILOTO:+TERESINA-PI">elato publicado no Wiki da Ação Cultura Digital </a>registra a variedade de temas trabalhados: &#8220;O programa deste encontro contou com oficinas como “Introdução ao Hardware”, “Tela Preta e Redes”, “Processo de MetaReciclagem”, “Pintura de Gabinetes”, “Áudio I e II”, “Xilogravura”, “Fotografia e Produção Gráfica em Software Livre”, “Vídeo em Software Livre”, “Usando (Melhor) o Seu Telecentro”, “Produção de Brinquedos com Material Reciclado”, “Oficina de Encadernação”, “Capoeira Angola”, “Teatro de Rua”, “Postura de Palco”, “Percussão”, “DJ”, “Uso de Aerógrafo”, “Prestação de Contas”, “Montando um Portal com Tiki Wiki”, “Cineclubismo”, “Oficinas Especiais para Instrutores do MHHOB” e “Horticultura”, além de conversas abertas sobre “Comunicação Livre”, “Candomblé”, “Software Livre”, “Rádio Livre”, “Hip Hop”, “Questões de Gênero”, “Políticas do MinC de Incentivo ao Audiovisual”, “Cultura Digital Direto da Espanha Via Webstreaming” e “Direitos Humanos na Comunicação com Intervozes”.</p>
<p>Neste Encontro, cerca de 160 computadores foram reciclados e quatro telecentros, um centro de metareciclagem e uma cooperativa foram criados. Foram capturadas e gravadas 15 faixas de áudio, reunidas num CD, cinco vídeos de um minuto, para serem inscritos no Festival do Minuto, e uma revista de experimentação gráfica. Além disso, foram registradas mais de 500 fotos e cerca de 100 horas de vídeo.</p>
<p>“O primeiro Encontro foi mágico. Lá nasceu a essência do que tentamos replicar depois, mas nunca foi igual&#8221;, lamenta<a href="http://culturadigital.br/members/leogermani/"> Léo Germani</a>, oficineiro e coordenador das oficinas da Ação Cultura Digital em 2006. &#8220;O espírito era de criar uma vivência dos principais valores e conceitos que queríamos passar nas oficinas: autonomia, protagonismo, trabalho em grupo, em rede, construção coletiva do conhecimento, uso de software livre. Mais do que falar, fizemos acontecer.&#8221; Germani descreve o formato aberto como o aprendizado aconteceu: &#8220;Chegou o caminhão com os computadores que eles conseguiram como doação do Banco do Brasil. Todo mundo começou a ajudar, a oficina de metareciclagem foi se organizando: teclado pra cá, mouse pra cá&#8230; o pessoal do MST mostrou como fazer uma horta, teve oficina de maracatu. Rolou muita troca, muita coisa aconteceu por iniciativa das pessoas. Não dá pra replicar uma experiência espontânea, tentar sistematizar e compartimentar.&#8221;</p>
<p>Em 2005, foram realizados 14 Encontros de Conhecimentos Livres. Conforme descrito acima, as oficinas não eram divididas em &#8220;aulas de vídeo&#8221; ou &#8220;aulas de áudio&#8221;, mas os grupos se articulavam para superar um desafio. &#8220;O objetivo era sensibilizar, mostrar o que era possível fazer&#8221;, sintetiza Léo Germani. &#8220;Para necessidades mais técnicas esse formato não funcionava&#8221;, afirma. <a href="http://culturadigital.br/members/drica/">Adriana Veloso</a>, a Drica, articuladora da Ação Cultura Digital de 2005 a 2007, concorda com Germani. &#8220;É muito comum ver a luz estourada nos vídeos produzidos durante os Encontros, áudio estourado&#8230; porque não dava tempo.&#8221;</p>
<p>A partir de 2006, além dos Encontros de Conhecimento Livres foram realizadas oficinas locais, reunindo de dois a quatro Pontos de Cultura, e oficinas regionais, que atendiam um número maior de Pontos reunidos. Com cerca de 20 pessoas e um oficineiro, esses cursos focavam as necessidades específicas de cada Ponto, desde a implementação dos kits multimídia até o aprofundamento necessário em algum software livre. Em 2006, foram realizados 13 Encontros de Conhecimento Livre e 41 oficinas.</p>
<p>Havia pressão por parte do Ministério para que a Ação Cultura Digital apresentasse resultados numéricos. Mas como falar em hora-aula nesta proposta aberta? Como marcar a continuidade da oficina em uma manhã se alguns dos participantes passaram a madrugada editando um vídeo? &#8220;Rolava conflito com quem esperava aula na hora certa, com apostila. Tivemos ótimas experiências, mas nunca 100%. Muitas vezes as pessoas esperavam um curso formal e se frustravam. Claro que algumas se encantavam, mas outras telefonavam pro Ministério reclamando&#8221;, relata Germani.</p>
<p>Banto, que participou da Ação Cultura Digital em 2005, afirma que um dos problemas das ações de apropriação é com a mensuração de resultados. &#8220;Você planta pra um dia brotar, você não colhe quando quer. No ano passado, 2008, recebi um e-mail de uma professora que tinha participado do Encontro do Piaui, em 2005, falando sobre a oficina. Como coloco no relatório que ela demorou três anos? A idéia de capacitar envolve um tempo, digerir aquilo.&#8221;</p>
<p>As oficinas do Ação Cultura Digital sempre tinham o objetivo de resultar em um produto. &#8220;Em quatro horas botava um programa no ar. Fazia matéria, cenário, roteiro, câmeras, entra VT, volta. Era uma loucura &#8211; e muito legal&#8221;, comenta Léo Germani. Para Drica Veloso, é importante que a pessoa sempre saia da oficina com um produto, com algo que tenha conseguido concretizar, no sentido de valorizar o que aprendeu e fortalecer sua auto-estima.</p>
<p>De acordo com as necessidades dos Pontos eram realizadas oficinas de:<br />
1. introdução aos usos da Internet, denominada de “Se joga na rede”;<br />
2. cultura livre;<br />
3. articulação e produção cultural;<br />
4. metareciclagem;<br />
5. produção de áudio;<br />
6. produção de vídeo;<br />
7. produção gráfica; e<br />
8. novos modelos de direito autoral (Fossá, 2006).</p>
<p>O perfil dos que participavam dos Encontros e Oficinas sempre foi muito heterogêneo. Havia pessoas de todas as idades, com diferentes níveis de aproximação com computadores e outros aparelhos digitais. O que cada um esperava da Ação Cultura Digital também era muito distinto. &#8220;Cada um trazia uma expectativa pessoal, queria sair com uma questão resolvida. Mas muitas vezes voltava com mais perguntas que respostas.&#8221;, afirma Germani. A não realização das expectativas dos participantes das oficinas, de acordo com Léo Germani, um dos formuladores do projeto, seria um ponto negativo. Como solução, aponta a necessidade de clareza por parte dos oficineiros e facilitadores dos objetivos a serem alcançados em cada oficina, bem como de sua divulgação para que os participantes saibam o que irá ocorrer, sem gerar falsas expectativas.</p>
<p>Proposta que coaduna com a análise de Léa Fagundes, uma das maiores referências brasileiras da área de educação e novas tecnologias, quando diz que “Cursos sem início, sem meio nem fim” seriam os espaços ideais de aprendizagem, com a possibilidade das atividades centrais serem oficinas, sendo que estas “precisam organizar atividades práticas com fundamentos expressos com clareza”.</p>
<p><strong>Os mediadores do Cultura Digital</strong></p>
<p>De 2005 a 2007, os oficineiros e coordenadores/articuladores da Ação Cultura Digital foram contratados pelo Instituto de Pesquisa em Tecnologia e Inovação (IPTI) como consultores do Ministério da Cultura. Os perfis e salários variavam sem obedecer a critérios objetivos. Drica Veloso comenta que enquanto outros coordenadores/ articuladores tinham, em 2005, um salário de 2.500 reais, ela recebia mil reais &#8220;porque era mulher e tinha acabado de ter bebê&#8221;. A questão do gênero, aliás, é bastante pontuada por Veloso que ratifica a disparidade entre o número de homens e mulheres contratados para atuar no projeto.</p>
<p>Não foram abertos editais, concursos ou chamadas públicas para a contração dos que concretizaram a Ação Cultura Digital. Ela emergiu de um grupo de ativistas de diferentes grupos da sociedade civil, como o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/M&lt;/p"></a></p>
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		<title>O Programa Gesac: avaliação</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 19:18:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela Agustini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O estudo feito para a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) mapeou que aos implementadores sociais do Programa Gesac eram oferecidos os equipamentos e as condições necessárias aos espaços de formação. Cada um recebia, além de salário e ajuda de custo, telefones celulares para a comunicação com a equipe, aparelho de GPS para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O estudo feito para a <a href="http://www.rnp.br/">Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) </a>mapeou que aos implementadores sociais do <a href="http://www.idbrasil.gov.br/menu_interno/docs_prog_gesac/institucional/oqueegesac.html">Programa Gesac</a> eram oferecidos os equipamentos e as condições necessárias aos espaços de formação. Cada um recebia, além de salário e ajuda de custo, telefones celulares para a comunicação com a equipe, aparelho de GPS para a localização de comunidades de mais difícil acesso, notebook, projetor, caixa de ferramentas e espaço em um servidor para armazenar a produção das oficinas, visitas e rodas de conversa.</p>
<p>Para Banto, essa estrutura é o grande destaque positivo do Programa. Já Renata Lourenço aponta a falta de estrutura de algumas comunidades como principal  problema no desenvolvimento do trabalho dos implementadores. “Muitos lugares não têm energia estável, papel, água”, afirma.</p>
<p><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4701271D1">Ana Valéria Machado Mendonça</a>, em sua <a href="http://biblioteca.idbrasil.gov.br/publicacoes/teses-e-dissertacoes/a-integracao-de-redes-sociais-e-tecnologicas/at_download/file">tese de doutorado</a> (baixe em .pdf), em 2007, aponta a ausência de monitoramento e avaliação de resultados como uma das falhas do Programa. Além disso, afirma a necessidade de mais implementadores sociais em campo e a criação de ferramentas de ensino na distância que facilitem a atualização de conhecimentos. Para a pesquisadora, as oficinas têm sido “ainda despreparadas didática e pedagogicamente, sem a percepção dos efeitos receptivos do processo de comunicação desenvolvido em seus Pontos de Presença”.</p>
<p>Depois disso, em abril de 2008, o governo lançou uma avaliação geral do programa com o objetivo de mensurar os resultados alcançados entre 2004 e 2008. As atividades propostas no<a href="http://www.idbrasil.gov.br/docs_prog_gesac/folder.2008-10-28.0351452633/file.2008-10-28.6137583034"> Plano de Avaliação </a>estipulam um ano para a conclusão dos trabalhos. Até o momento da publicação deste post os resultados ainda não haviam sido divulgados.</p>
<p>Veja também:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.arede.inf.br/inclusao/edicoes-anteriores/70-%20/682">Entrevista com Banto para A Rede sobre sua experiência no Gesac, entre outros programas de inclusão digital</a></li>
<li><a href="http://educacao.culturadigital.br/2009/11/03/o-programa-gesac/">Saiba mais sobre o Programa Gesac</a> (histórico, metodologia, espaço, softwares utilizados&#8230;)</li>
<li><a href="http://www.idbrasil.gov.br/docs_prog_gesac/file.2008-03-24.1092472437/download">Manual do usuário do Programa Gesac</a> (.pdf)</li>
<li><a href="http://www.idbrasil.gov.br/menu_interno/file.2007-08-07.8051971372">Pontos de Presença Gesac em operação</a> (.pdf)</li>
</ul>
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		<title>Recomendações para a apropriação de tecnologias digitais: parte 4</title>
		<link>http://educacao.culturadigital.br/2009/11/03/recomendacoes-para-a-apropriacao-de-tecnologias-digitais-parte-4/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 15:51:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela Agustini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O material de referência das oficinas de inclusão digital também deve ser pensado. A partir do mapeamento dos programas do governo federal, a lista de recomendações abaixo foi elaborada: É essencial ter material de referência que aprofunde ou aponte caminhos para aprofundar o trabalhado nos espaços presenciais de formação. Os materiais de referências disponíveis na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://educacao.culturadigital.br/files/2009/11/aaroba-150x134.jpg" alt="aaroba" width="150" height="134" class="alignleft size-thumbnail wp-image-94" />O material de referência das oficinas de inclusão digital também deve ser pensado. A partir do mapeamento dos programas do governo federal, a lista de recomendações abaixo foi elaborada:</p>
<ul>
<li>É essencial ter material de referência que aprofunde ou<strong> aponte caminhos</strong> para aprofundar o trabalhado nos espaços presenciais de formação.</li>
</ul>
<ul>
<li> Os materiais de referências disponíveis na rede precisam estar apresentados de maneira sistematizada e <strong>acessível</strong>, com a possibilidade de serem impressos.</li>
</ul>
<ul>
<li> Por mais que não seja essencial, a distribuição de<strong> referências impressas </strong>é importante para pessoas sem acesso constante a referências online.</li>
</ul>
<ul>
<li>Os materiais devem poder ser formulados e<strong> adequados a realidades</strong> locais.</li>
</ul>
<p><em>&#8220;Tudo está disponível na Internet e o desenvolvimento da fluência digital consiste em ter critérios definidos para buscar as informações relevantes, selecioná-las, operar sobre elas e gerar novas informações que leve a novos e melhores resultados, ou produções artísticas e/ou científicas criativas. Assim também os educadores, os tutores precisam desenvolver as habilidades de buscar, selecionar os melhores livros, os pesquisadores/autores mais creditados&#8221;</em> Léa da Cruz Fagundes, em entrevista por e-mail.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A necessidade de atuação do Estado para a apropriação do digital</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 02:27:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela Agustini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A obrigação do governo promover ações com este fim não é consensual. Para o pesquisador Benjamin Compaine, o “digital divide”, que se convencionou chamar de exclusão digital no Brasil, será superada pelo mercado, já que equipamentos e ferramentas tecnológicas estão cada vez mais baratos e acessíveis a todas as camadas da população. O Estado, dessa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-38" src="http://educacao.culturadigital.br/files/2009/11/image_preview-150x150.png" alt="image_preview" width="150" height="150" />A obrigação do governo promover ações com este fim não é consensual. Para o pesquisador <a href="http://compaine.bcompany.com/" target="_blank">Benjamin Compaine</a>, o “digital divide”, que se convencionou chamar de exclusão digital no Brasil, será superada pelo mercado, já que equipamentos e ferramentas tecnológicas estão cada vez mais baratos e acessíveis a todas as camadas da população. O Estado, dessa forma, não precisaria de políticas para fomentar a apropriação do digital (COMPAINE, 2001).</p>
<p>Contrário ao binômio exclusão/inclusão digital, o acadêmico <a href="http://books.google.com.br/books?id=jtrEUwJAxsYC&amp;printsec=frontcover#v=onepage&amp;q=&amp;f=false" target="_blank"></a><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_Warschauer" target="_blank">Mark Warschauer</a>, defende que &#8220;o desafio global não é superar a exclusão digital, mas expandir o acesso e o uso das TICs para promover a inclusão social&#8221; (WARSCHAUER, 2003, p. 282). O estudo &#8220;Desenvolvimento de um método para análise, classificação e aferição de práticas de referência em telecentros sociais&#8221;, promovido pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), em 2006, resume as três linhas fundamentais dos textos de Warschauer:</p>
<p>1) Existe a dificuldade de superar a ideia de que a inclusão digital vai além dos computadores. &#8220;A exclusão digital caracteriza-se não apenas pelo acesso físico a computadores e à conectividade, mas também a recursos adicionais, que permitam que as pessoas utilizem a tecnologia de modo satisfatório. No entanto, é difícil que o sentido original de exclusão digital – que atribui importância dominante à disponibilidade física de computadores e conectividade, e não a questões de conteúdo, língua, educação, letramento ou recursos comunitários ou sociais – seja superado pelas pessoas”.</p>
<p>2) É fundamental superar o simplismo da divisão bipolar entreter e não ter acesso à informação. “Um segundo problema referente ao conceito de exclusão digital é sua implicação de cisão bipolar da sociedade. De acordo com Cisler, não há uma divisão binária entre ter e não ter informação, mas sim uma gradação baseada em diversos graus de acesso à tecnologia da informação. (&#8230;) A noção de uma divisão binária entre ter e não ter é (&#8230;) imprecisa, e pode até ser fonte de privilégios, pois não é capaz de avaliar os recursos sociais que diversos grupos trazem à mesa. Por exemplo, nos Estados Unidos, os afro-americanos são freqüentemente descritos como excluídos digitais, quando, na realidade, o acesso à internet entre negros e outras minorias varia enormemente em função da faixa de renda – com a divisão entre negros e brancos diminuindo à medida em que a renda cresce”.</p>
<p>3) Existe uma cadeia de causalidades que culmina na exclusão digital. “Além disso, a noção de exclusão digital – mesmo no seu sentido mais amplo – pressupõe uma cadeia de causalidades: a falta de acesso definida de qualquer modo à informática e à internet reduz as oportunidades de vida. Embora essa ideia seja incontestavelmente verdadeira, o inverso também é verdadeiro: aqueles que já estão marginalizados terão menos oportunidades de acesso e de uso da informática e da internet. De fato, tecnologia e sociedade estão<br />
entrelaçadas e são co-constitutivas, e esse complexo inter-relacionamento torna problemática qualquer hipótese de causalidade” (Warschauer, 2003, p. 21- 23).</p>
<p>Ainda de acordo com Warschauer, o uso das TICs pode promover a inclusão social se as pessoas tiverem acesso à tecnologia, principalmente à internet; se forem promovidas ações para a apropriação das tecnologias e seu uso autônomo; e se estiverem disponíveis conteúdos para potencializar a melhoria das condições de vida por meio da rede.</p>
<p>Para a realização dessas ações, segundo os pesquisadores <a href="http://digilib.gmu.edu:8080/dspace/bitstream/1920/2931/1/FROM%20DIGITAL%20DIVIDE%20TO%20DIGITAL%20OPPORTUNITY.pdf">Appu Kuttan e Laurence Peters </a>(2003), há quatro possibilidades: 1) a solução pelo mercado, 2) a ação governamental, 3) a filantropia e ação comunitária; e 4) as parcerias público-privado. A pesquisadora Lilian Starobinas acredita que as diferentes esferas da sociedade<br />
podem oferecer oportunidades variadas, mas é necessário ter cautela.</p>
<p>&#8220;O mercado deve investir na formação de seus quadros, mas é essencial uma política de Estado que não fique refém do mercado. É importante que o Estado ofereça possibilidades formação de maneira ampla, permitindo que se destaquem talentos em programação, em produção de mídia; convidando à comunicação, a conhecer a rede. É com preocupação que vemos Estados e prefeituras se associarem a empresas para economizar grandes somas &#8211; e o que fazem é fidelizar consumidores. É voraz o trabalho de disseminação dessas empresas. E não é formativo. Estamos falando em criar novos clientes pra empresas e isso não cabe ao Estado. É importante a clareza do Estado brasileiro no que promove e no que a empresa promove. O terceiro setor pode oferecer coisas interessantes em parceira com o Estado, há grupos consolidados fazendo isso. Mas é necessário que o prometido seja entregue. Não podemos compactuar que, em nome da inclusão digital, o Estado dê verbas para organizações fictícias que não promovam coisa nenhuma.&#8221;</p>
<p>O professor <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4700729J1" target="_blank">Marcelo Buzato</a>, da Unicamp, afirma que o mercado não tem compromisso com o aprendizado ou a apropriação. As lan-houses, por exemplo, vendem acesso, e há empresas que treinam para o uso dos softwares que produzem. Em sua <a href="http://weblab.tk/sites/weblab.tk/files/bibliografia/drica-mestrado.zip" target="_blank">dissertação de mestrado </a>(2006), por sua vez, <a href="http://weblab.tk/2007/10/participa%C3%A7%C3%A3o-p%C3%BAblica" target="_blank">Drica Guzzi</a> reúne os argumentos de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Michael_Dertouzos" target="_blank">Michael Dertouzos</a>, professor do Massachussetts Institute of Technology, na defesa de que o Estado e o terceiro setor invistam na apropriação do digital:</p>
<p>&#8220;Deixado por sua própria conta, o mercado de informação aumentará a brecha entre os países ricos e pobres e entre as pessoas ricas e pobres. Está claro que a questão dos acessos e uso das TICs deve ser visto como política pública, projetos de responsabilidade social e pauta da agenda do terceiro setor (VELOSO, 2006).&#8221;</p>
<p>Mas para a pesquisadora, é uma ilusão acreditar que o terceiro setor, assim como o mercado, dará conta da demanda social de democratização das TICs. &#8220;Seja na articulação de programas específicos ou na criação de condições de atuação e de infra-estrutura técnica, é muito difícil imaginar uma sociedade preocupada com a questão tecnológica que dispense participação governamental.&#8221;</p>
<p>O sociólogo <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4771093E6" target="_blank">Sergio Amadeu da Silveira </a>também defende que a apropriação das chamadas tecnologias de informação e comunicação (TICs) é dever do Estado e depende de uma política pública de inclusão digital. Para essa política, seria necessário: &#8220;O reconhecimento de que a exclusão digital amplia a miséria e dificulta o desenvolvimento humano local e nacional. A exclusão digital não é uma mera conseqüência da pobreza crônica, mas torna-se fator de congelamento da condição de miséria e de grande distanciamento das sociedades ricas. Segundo, é a constatação de que o mercado não irá incluir na era da informação os extratos pobres e desprovidos de dinheiro. A própria alfabetização e escolarização da população não seriam massivas se não fosse pela transformação da educação em política pública e gratuita. A alfabetização digital e a formação básica para viver na cibercultura também dependerão da ação do Estado para serem amplas ou universalistas. Terceiro, a velocidade da inclusão é decisiva para que a sociedade tenha sujeitos e quadros em número suficiente para aproveitar as brechas de desenvolvimento no contexto da mundialização de trocas desiguais e, também, para adquirir capacidade de gerar inovações. Quarto, é a aceitação de que a liberdade de expressão e o direito de se comunicar seriam uma falácia, se fossem apenas para a minoria que tem acesso à comunicação em rede. Hoje, o direito à comunicação é sinônimo de direito à comunicação mediada por computador. Portanto, trata-se de uma questão de cidadania&#8221; (SILVEIRA, 2003, p. 29-30).</p>
<p>Em uma sociedade contemporânea brasileira cuja cisão entre ricos e pobres ainda se mantém &#8211; com apenas 2,8% da população pobre participando da renda nacional, de acordo com Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em contraponto aos 61,1% da rica -, ações públicas e governamentais que visem à inclusão social parecem ser imprescindíveis. Nesse sentido, concorda-se com Warschauer e Silveira quando afirmam que o desafio é facilitar o acesso à internet e às tecnologias digitais para incluir socialmente, ou seja, promover a inclusão digital com vistas à social.</p>
<p>Leia também</p>
<ul>
<li><a href="http://books.google.com.br/books?id=jtrEUwJAxsYC&amp;printsec=frontcover#v=onepage&amp;q=&amp;f=false" target="_blank">Tecnologia e inclusão social, de Mark Warshauer</a> (livro para baixar)</li>
<li><a href="http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/artigo_02/">Inclusão digital, software livre e globalização contra-hegemônica</a>, artigo de Sérgio Amadeu</li>
</ul>
<p><em>Imagem: Mesa de abertura da 7ª oficina de inclusão digital, em Belém, PA. Disponível em: </em><a href="http://www.governoeletronico.gov.br/banco_imagens/oficina_inclusao_digital_mesa.jpg/view">http://www.governoeletronico.gov.br/banco_imagens/oficina_inclusao_digital_mesa.jpg/view</a></p>
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		<title>Da capacitação à apropriação das tecnologias digitais</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 21:05:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriela Agustini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[apropriação]]></category>
		<category><![CDATA[capacitação]]></category>
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		<description><![CDATA[Nenhum termo é unânime para tratar ações de ensino-aprendizagem. Capacitação, educação, formação, treinamento, reciclagem, letramento, alfabetização, fluência, apropriação são exemplos de palavras utilizadas para o que Carlos Rodrigues Brandão chama de &#8220;práticas pedagógicas&#8221;, que existem muito antes dos locais especializados para o ensino. O antropólogo afirma que durante toda a história social da humanidade há [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-34" src="http://educacao.culturadigital.br/files/2009/10/oficina_metareciclagem_cuiaba_2007-150x150.jpg" alt="oficina_metareciclagem_cuiaba_2007" width="150" height="150" />Nenhum termo é unânime para tratar ações de ensino-aprendizagem. Capacitação, educação, formação, treinamento, reciclagem, letramento, alfabetização, fluência, apropriação são exemplos de palavras utilizadas para o que <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4780720Y4">Carlos Rodrigues Brandão</a> chama de &#8220;práticas pedagógicas&#8221;, que existem muito antes dos locais especializados para o ensino.</p>
<p>O antropólogo afirma que durante toda a história social da humanidade há situações em que alguns fazem e ensinam e outros observam, repetem e aprendem; seja no trabalho,em rituais, celebrações coletivas ou quaisquer acontecimentos cotidianos (BRANDÃO, 2006,p. 23). E a escolha de um termo para tratar as práticas pedagógicas não é só uma questão semântica. Anna Helena Altenfelder, especialista em Psicologia da Educação, afirma que &#8220;a escolha dos termos muitas vezes revela as posturas e concepções que orientam as ações de formação&#8221; (ALTENFELDER, 2005, s. p.).</p>
<p>Sobre o termo capacitação, a autora pondera: “a adoção da concepção de capacitação como convencimento e persuasão se mostra inadequada (…) uma vez que não podem e não devem ser persuadidos ou convencidos sobre idéias, mas sim conhecê-las, analisá-las, criticá-las ou até mesmo aceitá-las.” (ALTENFELDER, 2005, s. p.).</p>
<p>A maioria dos especialistas e ativistas ouvidos na pesquisa encomendada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) à FLi Multimídia não utiliza o termo capacitação para tratar das &#8220;práticas pedagógicas&#8221; do digital. Mônica Gardelli Franco, doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e gerente educacional do Núcleo Cultura e Educação da Fundação Padre Anchieta, não utiliza o termo capacitação por opção: &#8220;Parece que a pessoa não terá autonomia para usar o que é apreendido. Prefiro o termo apropriação porque traz em si o sentido de que a ferramenta será usada a seu favor, a partir de suas necessidades. O sentido de apropriar-se de ferramentas tecnológicas é ter acesso ao conhecimento e às informações disponíveis e também contribuir numa via de mão dupla: é alimentar e ser alimentado&#8221;.</p>
<p>Além de apropriação, Mônica utiliza os termos alfabetização, letramento, ou qualquer outro que permita, segundo ela, a idéia de apropriação. Para a professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Léa da Cruz Fagundes, a aquisição de habilidades e desenvolvimento de competências na apropriação dos recursos das tecnologias denomina-se fluência digital: “Essas competências podem ser adquiridas em diferentes níveis: a) níveis de usuário- iniciante, médio, avançado; b) níveis de desenvolvedores – de recursos para aplicações e serviços; c) níveis de pesquisa e inovação, dos próprios recursos tecnológicos, de geração de novas estratégias, de mudanças/ saltos culturais e aberturas para a complexidade e a transdisciplinaridade, de ampliação da consciência individual e coletiva.”</p>
<p>O termo capacitação também pode ser preconceituosamente associado à incapacidade, e &#8211; de acordo com a perspectiva de uma educação transformadora -, o ser humano, o estudante, o aprendiz não somente é hábil a aprender como também mestre nos seus conhecimentos, sendo incentivado a contribuir no ensino dos demais colegas e professores.</p>
<p>A alfabetização digital, por sua vez, é compreendida por alguns teóricos como o primeiro contato com as tecnologias, em conhecer os códigos e começar a utilizá-los o que levaria &#8211; com o uso &#8211; a um letramento digital. Porém, como bem lembra Moacir Gadotti (2005), para Paulo Freire o termo alfabetização também inclui a prática discursiva e representa um instrumento para a transformação social. Nessa perspectiva, considerar letramento mais abrangente do que alfabetização representa negar a tradição freiriana.</p>
<p>Já a denominação “<strong>inclusão digital</strong>”, utilizada por alguns pesquisadores e agentes sociais, conforme melhor explicado no próximo tópico, remete a uma segmentação, como se existisse uma margem delimitada a ser ultrapassada. Na sociedade contemporânea em que a relação tecnologia-cultura-produção é totalmente dialógica (CASTELLS, 1999) tal noção não parece ser a mais adequada.</p>
<p>Outro termo utilizado pelos entrevistados como uma opção à inclusão digital é democratização do acesso. Ele refere-se também ao uso pleno da rede, à criação de mecanismos para que seja utilizada sem as amarras ou limitações das tecnologias existentes. Porém, por mais abrangente que democratização seja, remete em primeira instância &#8211; junto com inclusão -, ao acesso, ao fato de haver computadores, ferramentas, redes disponíveis.</p>
<p>O sentido que se busca neste trabalho para processos pedagógicos do digital extrapola a inclusão digital ou a democratização do acesso. Ele se aproxima da inclusão social, ou seja, de ações que levem os usuários da internet a transformar suas relações sociais, políticas, econômicas pelo potencial criativo que as ferramentas digitais propiciam.</p>
<p>Felipe Fonseca, pesquisador e articulador de projetos relacionados à produção colaborativa, mídia independente, software livre e apropriação crítica de tecnologia, que coordenou, entre 2005 e 2006, a Ação Cultura Digital do Ministério da Cultura, relata que o termo capacitação nunca foi utilizado para se referir ao que faziam.</p>
<p>Desde o começo pensamos em apropriação de tecnologias para Pontos de Cultura: as pessoas começaram a usar a rede para mobilização, para articular seus projetos, e não se adequar a um projeto ideal; não aprender X, Y, Z para ter um certificado e poder procurar emprego. Tinham que aprender a aprender sozinhas, o que já faziam fora da rede, o que está presente no cotidiano do brasileiro: mutirão, não passar fome pela relação com o vizinho. Aprofundar um pouco a questão da apropriação cotidiana, da gambiarra. Tratar isso, que muitas vezes está relacionado ao atraso social do Brasil, e recontextualizar.</p>
<p>De acordo com os formuladores das oficinas do Programa Cultura Viva, a ideia proposta era a de “reapropriação”, questionando o que significa “propriedade”, “apropriarse”, ressaltando a possibilidade criativa de uso.</p>
<p>Leonardo Germani, oficineiro da Ação Cultura Digital, que coordenou as oficinas da Ação entre 2005 e 2006, diz que não utilizavam o termo capacitação para evitar qualquer associação a cursos meramente técnicos. &#8220;Tínhamos a idéia de conhecimento livre. Trabalhávamos com uma mudança ética mais profunda, não de aprender uma nova ferramenta. Queríamos que as pessoas aprendessem a aprender e chamávamos isso de oficina, de encontro.&#8221;</p>
<p>No Gesac, segundo a implementadora Renata Lourenço, o termo capacitar também não era utilizado. &#8220;Falávamos em facilitadora de tecnologias de comunicação, uma ação que visava mediar a máquina, a conexão e as pessoas que se beneficiam dos projetos. A ideia era fazer com que a tecnologia seja usada para o coletivo, para agregar valor social ao equipamento&#8221;.</p>
<p>Para o professor Marcelo Buzato, do Departamento de Linguística Aplicada do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o termo capacitar pode ser compreendido como o primeiro passo da apropriação. Mas afirma que só a capacitação, mesmo quando bem feita, não basta. &#8220;É necessário conhecer  fundamentos e ter tempo e suporte para entender como a máquina funciona. Aí você passa a pensar e a entender o que aquilo te permite fazer. Mas isso não garante que eu consiga fazer, na hora em que eu precisar, só porque conheço o funcionamento. Hoje, as escolas públicas, por exemplo, têm professores capacitados em tecnologia. Mas isso é muito vago, saber lidar com o computador&#8230; é necessário ter noção da implicação social da tecnologia e de como ela afeta a vida dos alunos, do trabalhador, como se posiciona.&#8221;</p>
<p>Lilian Starobinas, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo e professora do Ensino Médio em uma escola da rede particular da cidade, trabalha com as ideias de domínio e apropriação. &#8220;Estamos falando de uma prática, composta de diversas ações. É importante diferenciar o domínio da apropriação das ferramentas. Sou capaz de verificar se alguém domina o uso do computador se sabe ligar, conhece o mouse, abre o navegador, tem ideia de programas básicos. Posso chegar à conclusão de que domina o uso do aparato, e não obrigatoriamente isso significa apropriação. Temos tentando caracterizar apropriação como estado diferenciado e específico. Não podemos cair no discurso massificado de dar capacitação pro Pacote Office, pro mercado de trabalho. Não precisamos de diplominha. Temos trabalhado com a clareza de que formação, conhecimento, aprendizagem, apropriação são processos situados. É necessário dar resposta à necessidade de um momento. Se sou usuária ocasional, vou esquecer como usar um programa especificamente. Precisamos facilitar que as pessoas encontrem seus talentos e desejos de desenvolvimento para que utilizem as ferramentas para o que quiserem.&#8221;</p>
<p>Estas pontuações apresentam, em sua essência, a necessidade de práticas pedagógicas que permitam a apropriação de ferramentas digitais no cotidiano dos aprendizes, para a satisfação de suas necessidades. Essa noção de apropriação é coerente com o conceito formulado pelo historiador Roger Chartier “A apropriação, tal qual nós a entendemos, visa a uma história social dos usos e das interpretações, remetidas às suas determinações fundamentais e inscritas nas práticas específicas que as constroem” (CHARTIER, 2003, p. 152). Assim, em busca de um conceito, que represente as reflexões de quem estuda e pratica a pedagogia do digital, utiliza-se a definição de Débora Duran, publicada em sua tese doutoral: “apropriar-se efetivamente da linguagem digital é mais do que simplesmente &#8216;saber usar&#8217;, isto é, não significa apenas a realização de ações aleatórias ou de operações obrigatórias, mas a incorporação de recursos digitais para a realização de projetos individuais e/ou coletivos” (DURAN, 2008, p. 57-58).</p>
<p>Portanto, conforme o processo da elaboração deste trabalho aponta, em concordância com a ampla produção brasileira sobre educação digital e cibercultura, propõe-se trabalhar com a denominação “apropriação tecnológica” ou “apropriação de tecnologias digitais” para processos pedagógicos que visem à emancipação social e a valorização do potencial criativo a partir do uso das ferramentas e recursos digitais.</p>
<p><em>Imagem: Oficina de MetaReciclagem do Programa Gesac em Cuiabá (2007). Disponível em</em>:<a href="http://www.idbrasil.gov.br/imagens/oficina_metareciclagem_cuiaba_2007.jpg/view"> http://www.idbrasil.gov.br/imagens/oficina_metareciclagem_cuiaba_2007.jpg/view</a></p>
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