Programa Casa Brasil: avaliação

Publicado por Gabriela Agustini dia 3 de novembro de 2009

vjpixelO coordenador de tecnologia do Casa Brasil entre 2006 a 2008, VJ Pixel (foto ao lado), avaliou para a pesquisa encomendada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) o processo pedagógico por que passaram os mediadores do projeto federal e  afirma ter sido transformador: “A experiência no Casa Brasil me mudou muito, mudou a minha maneira de dar oficinas. Essa metodologia que eu uso, de tentar fazer com que as pessoas participem mais das oficinas, consegui compreender e aplicar muito por causa do Casa Brasil, com o estudo teórico do Paulo Freire”, disse.

Segundo o entrevistado, havia a impressão de que todos os envolvidos no projeto, e especialmente os oficineiros, estavam alinhados, com os mesmos objetivos, resultado da política bem definida por parte dos formuladores do programa. Pixel pondera: “No Casa Brasil, o objetivo era formar uma política pública integrada de inclusão digital. Pretendia ser o Governo nas comunidades e fazer com que as comunidades se apropriassem do Governo. Era um programa mais institucional”.

Do que conseguimos apurar, em linhas gerais, as pessoas que passavam a integrar o Casa Brasil, que começavam a atuar no projeto eram bem informados sobre seus objetivos e direcionamentos, o que foi fundamental para os resultados satisfatórios alcançados. Por outro lado, um dos fatores críticos indicados foi em relação ao fato de ser um programa extenso e dispendioso. O Programa Casa Brasil, como os demais de inclusão digital, necessita de uma grande estrutura de recursos humanos e financeiros, como equipamentos, infraestrutura (espaço físico, energia, equipamentos), manutenção constante.

E da forma como foi implementado não conseguiu promover a autonomia das instituições parceiras. “Efetivamente, o programa não estimulava a autonomia. Por mais que tentássemos politicamente fazer isso, o governo dava muito, então as pessoas ficavam meio dependentes e pedindo mais”, afirma Pixel.

Avaliação do próprio programa

Um fator interessante é que o próprio programa desenvolveu um modelo de avaliação em que são mensurados indicadores de: 1) insumos ou recursos; 2) processos; 3) resultados; e 4) inclusão social. De acordo com os pesquisadores da Universidade de Brasília Maria de Fátima Ramos Brandão e Bartholomeu Tôrres Tróccoli (2005, p. 10): “O modelo de avaliação proposto considera estratégico a inclusão digital para promover o desenvolvimento social pela oportunidade de acesso a informação, produção de bens culturais, de aperfeiçoamento dos indivíduos, de consolidação da rede social e da articulação comunitária, participativa e cidadã. Dessa forma, espera-se promover a interação permanente e responsável entre os agentes sociais para resultar no desenvolvimento sustentável local e regional.”

Para eles, o pioneirismo do projeto evidencia-se por incorporar questões de inclusão digital, cultural e social “num complexo conjunto de objetivos indissociáveis”. Foi utilizada a ferramenta Wiki e o ambiente Moodle para desenvolver de forma colaborativa o modelo de avaliação, bem como para aplicá-lo.

Veja o que era avaliado em cada indicador:

No primeiro ponto insumos ou recursos, eram considerados:
a) infraestrutura física (instalações físicas alocadas segundo padrões aprovados pela Coordenação Nacional);
b) tecnológica (idem);
c) humana (pessoal necessário para o funcionamento pleno da unidade); e
d) orçamentária (com orçamento e cronograma financeiro de desembolso aprovado e destinado para o projeto e fontes de captação de recursos).

No segundo ponto, gestão ou processos, os seguintes aspectos eram pontuados:
a) gestão administrativa (processos para a gestão da infra-estrutura física, tecnológica e de elaboração, planejamento e gestão de projetos sociais, serviços de apoio,
atendimento comunitário, acompanhamento e avaliação);
b) gestão financeira e de auto-sustentabilidade (processos para a gestão contábil, prestação de contas e articulação para auto-sustentabilidade);
c) gestão social, participativa e de cidadania (processos para a gestão de relacionamentos, Conselho Gestor, atendimento ao cidadão e identificação de problemas
comunitários);
d) gestão de conhecimento tecnológico, científico e cultural (processos para a gestão da capacitação de agentes e comunidade para o uso, criação, produção, difusão, organização e sistematização dos conteúdos gerados, disponibilização no portal Casa Brasil e na sua rede social).

O terceiro indicador refere-se a resultados, que avalia:
a) acessibilidade (infra-estrutura de inclusão e acessibilidade digital garantida);
b) habilidades para inclusão digital social (habilidades de inclusão digital desenvolvidas para uso crítico e criativo das TICs na solução de problemas locais e comunitários e para a criação e produção de bens culturais);
c) oportunidades econômicas sociais (melhoria de qualidade de vida e oportunidade de renda ou emprego);
d) participação democrática e cidadã (participação, representatividade social e cidadania promovidas, rede social consolidada).

O quarto e último indicador é a inclusão social, avaliada de acordo com:
a) desenvolvimento social de contexto (inclusão digital, de renda, de saúde, de educação, de segurança, de qualidade de vida e de sustentabilidade ambiental e social promovidas);
b) desenvolvimento social da Unidade Casa Brasil (conteúdos produzidos, comunidade atendida, eventos realizados);
c) desenvolvimento do indivíduo (satisfação, qualidade de vida, oportunidades e expectativas evidenciadas) (BRANDÃO; TRÓCCOLI, 200515).

Outros aspectos que a avaliação considerava eram: redirecionar as ações na medida do necessário e promover uma cultura de visão crítica e ética. A íntegra do modelo citado acima e todos os indicadores estão disponíveis em .pdf para baixar no artigo: “Um modelo de avaliação de projeto de inclusão digital e social: Casa Brasil”.

Veja também:

Imagem: VJ Pixel por Lu Scuarcialupi para o Blog Trezentos. Disponível em: http://www.trezentos.blog.br/?p=2231

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