Recomendações para a apropriação de tecnologias digitais: parte 1
Publicado por Gabriela Agustini dia 2 de novembro de 2009
Para uma efetiva apropriação de tecnologias digitais é necessário investir em ações de formação. Na tentativa de replicar acertos e evitar erros cometidos em programas implementados anteriormente, listamos as recomendações para as ações de apropriação de tecnologias digitais, divididas em quatro categorias: 1) espaços, 2) softwares e ferramentas, 3)mediadores, e 4) materiais de referência.
Abaixo, listamos as recomendações em relação aos espaços das ações de inclusão digital:
- A formação no digital é mais bem sucedida quando acontece em espaços informais, nos quais as pessoas se sentem à vontade para conversar, como oficinas, encontros, espaços abertos.
- As pessoas precisam estar à vontade para conversar.
- A formação só deve acontecer se for demanda dos atores que a recebem. Provavelmente, não será efetiva se for moeda de troca para acesso livre a telecentros ou para receber qualquer outro benefício de quem a oferece.
- Mediadores são essenciais nos processos de formação do digital
- Em espaços que possibilitam e fomentam o diálogo entre as pessoas, todos têm a possibilidade de ser aprendizes e formadores. O conhecimento é compartilhado pelas pessoas que aprendem em parceria.
- A natureza informal dos espaços precisa estar clara para os que dela participarem, sob o risco de frustrar as expectativas dos que se sentirem convidados a aulas/ cursos tradicionais.
- Informalidade não é sinônimo de despreparo. Planejamento é essencial para o sucesso de uma oficina e a falta dele é certeza de fracasso.
- Há diversas metodologias possíveis para realizar ações de formação. É essencial dedicar tempo para definir uma metodologia, escolher referenciais teóricos que embasem as práticas pedagógicas e sistematizar o método a ser seguido pelos mediadores.
- Formações introdutórias, de sensibilização, de contato inicial com equipamentos, ferramentas e possibilidades da rede, são essenciais.
- Formações aprofundadas são importantes para que usuários avançados potencializem suas ações.
- Espaços de formação que trabalhem linguagens, como áudio e vídeo, por exemplo, têm mais resultados quando geram produtos. Em vez de lidar com equipamentos e softwares de maneira abstrata, o aprendizado é mais efetivo quando as ferramentas são utilizadas para cumprir o objetivo de gerar um produto, por menor que seja.
- Por mais que cada espaço de formação precise gerar um produto, é necessário ter claro o objetivo formador. Os participantes do espaço devem operar as ferramentas e conduzir os processos, não o mediador.
- É importante registrar os espaços de formação em diversas linguagens. Os registros serão importantes para avaliações, para motivar os que participaram dos encontros e para divulgação.
- É necessário providenciar todos os equipamentos e ferramentas necessários à formação, com as especificidades necessárias às diferentes linguagens – banda larga, velocidade de máquina, monitor com qualidade de cor pra trabalhar com foto ou vídeo, webcam, dentre outros equipamentos.
- Os espaços físicos para a formação precisam ser adequados. Além de conexão em banda larga, de equipamentos e ferramentas não se pode esquecer de que o lugar precisa de iluminação adequada, água potável, limpeza, sanitários etc.
- É essencial que o espaço presencial se estenda a ambientes virtuais de aprendizagem, para dar suporte, tirar dúvidas, permitir atualização e interação.
- Os ambientes virtuais precisam ser atraentes, intuitivos e dialogar com ferramentas já apropriadas pelas pessoas.
- Avaliações são essenciais, seja ao final de cada espaço de formação ou, de forma mais ampla, nos programas de formação. Avaliações permitem corrigir problemas e incorporar boas soluções de maneira dinâmica.
Imagem: Cristiano André dos Santos na oficina de MetaReciclagem do programa Gesac em Tiradentes, MG. Disponível em: http://www.inclusaodigital.gov.br/inclusao/noticia/metareciclagem-promove-interacao-homem-maquina-em-tiradentes/
Tags: espaço, formação, informal, metodologia, oficina, recomendações